Ismael Leite de Almeida Júnior

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Aracaju, SE, Brazil
Poeta, cantor, compositor, guitarrista, apaixonado por mundos e vida.

terça-feira, 15 de junho de 2021

A procura da poesia lisérgica.

E agora falo para as trevas

E para a luz. Quanto da minh’alma

Figurará no fogo que arde

E no brilho dessa luz opaca?


Meus anseios e minhas loucuras!

Pedaços de mim que assim despertam (o que?)

E viram a madrugada de sombra em sombra

A procura da poesia lisérgica. 

De dentro para fora, terror e medo,

Dor e glória. Como nas tragédias

A maldição que aqui se forma, relutante,

Sobrevive mastigando os tímpanos dos profanos

E cavando a terra esperando seu descanso.


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

E as lágrimas em minhas mãos?

Devora-me oh sopro da aurora,
Não me cansas vê-la tão próxima.
Com serpentes, com correntes,
Solitária como nossa mente.

De dormente o peito chama
Minhas mãos a afagar a cama.
Os espinhos abrem fissuras,
Derramam taças de amarguras.

E as lágrimas em minhas mãos?
São torrentes ou afluentes?
São sonhos ou ilusões?

Na cabeça, o desejo contamina.
Na boca, a saliva enche a rima.
Nos olhos, a cegueira me destrói.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dor e medo

Tento; levo; sinto; invento, solto;
Tudo; tempo; medo; drama; cor; cinzento;
Alto; longo; falso; ódio; dor; entendo;
Fujo; vejo; conto; escondo; presto; longo.

Pareço; quero; medo; tantos; frio; encanto;
E vejo; e corro; e temo; e pranto; e canto;
Quero; o queixo; e pondo; o pranto; e corro;
Tanto; solto; findo; trêmulo; pratos; caras; dor e medo.

Sinto ao tempo as coisas que relutam pelo corpo
Que marafonas e baratas, e seu cheiro negro
Trás a cor do tempo, do medo, do desprezo.

E ao fundo vou querendo, sempre o mesmo beijo,
E assim o lábio úmido para falar a cor da frigia.
Vou assim: com medo; trêmulo; tenso; punho; louco;
Anjo; frígido; pranto; dor e medo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quanto mais ao mar meus olhos se lançavam


 
Ontem, junto ao mar fui lançado para um sonho
E no som das pedras que o mar abraçava
Encantei-me com a beleza de uma linda
Sombra que ao lado se lançava, vestida
De ternura e beleza que ao homem é loucura.

Quanto mais ao mar meus olhos se lançavam
Percebia quanto à beleza do teu corpo refletia
E junto ao som das gaivotas fez-se a voz da bela
Em poucas palavras mostrando-me sua fala assim,
Como ao mar não parava de encantar e beijar as pedras.

Pedras estas que apoiavam a mais linda sombra da ilha.
A noite caia, o mar avançava, as pedras gemiam,
Meus olhos brilhavam, você sorria e a noite
Com toda sua potência a Lua nos trazia.

Como é linda a noite, a lua, o mar, até a chuva
Que nos unia fugindo do sopro que da noite se valia.
E cantamos, e falamos, e sorriamos e nada mais
Vai tirar este agora, que por um louco momento
É o melhor suspiro que posso contemplar sozinho.

E nas loucuras que poderei cantar


Hoje, olhando para esta imensidão escura
Acima dos meus olhos, uma gigantesca
Sombra que transforma o dia em noite
Onde uma quantidade infinita de estrelas
Vem nos trazer essa chuva de brilhos
Formatos e cores que me sufocam.

E para alertar a imaginação, nuvens,
Nuvens escuras dando forma a loucura,
Criando desenhos que apenas a mente
Os dimensionam e logo após o vento
Vão passando numa pressa alucinada

Não esperam a palavra e vão-se para
A escuridão além do horizonte muito,
Muito distante onde só a Lua iluminara.
Ah, a Lua, este belo astro que aqui se faz
Solitária, iluminando os meus sonhos
Movendo a luz entre eu e as nuvens.

Que astro encantador, faz de sua forma
E brilho a dor e a alegria dos pobres,
Dos ricos, dos loucos. Nos risos
Nas lembranças...

Com seu passo lento nos faz reviver
As faces, a amargura... A felicidade.
Quanto sentimento em um só astro
Que ao longe me faz viajar na mulher,
No prazer, no amor, nos encantos
E nas loucuras que poderei cantar.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Texto explicativo


Não venho do ócio por um motivo sóbrio. Trago aqui um rasgado de mundo sintetizado em ondas assimétricas de melancolia e abstinência. Um sonho parado que retorna a característica da criação acordada anos atrás de qualquer ordenação. A semelhança entre o belo e o morto que está apenas nas lágrimas que derramamos por escolha própria. Ou enxergo e vivo ou me castigo como morto. É tão incoerente a incoerência das razões que em cada mão planto. Uma palavra pela qual representa o variante do meu humor, e nesta faço uma versão daquilo que agora me lanço, e vou tentando... tentando... tentando.
Reparo que na falta da minha coragem algumas coisapessoas encontram um sofrimento que não explica nada, mas faz da tortura uma dor mais avançada. É o medo quem fala, ou melhor, chora. Aqui alguém vai me dizer que o que escrevo são lástimas, fezes ou simplesmente mágoas. Quanta realidade digo para que todos consigam me ignorar. E riem pela minha caretice, e sofrem pelo mesmo motivo que ao ócio me levara.
Oh bela música! Tu que agora me encantas, mostre para essa pequena alma o triste caminho da esperança. E faça arder em minha face o doce colorido dos meus olhos que de tão molhados reflete o cinza da vida lá fora. Mostre-me o quanto alegra e conforta aqueles que a ausenta.
Hoje mostro que meu ócio, minha dor, minha embriaguês, meu choro e minha solidão construíram mais alguns degraus. E que louco isso sabe?! Não acredito que a minha morbidez possa ter tantos caminhos. Assim como também não acredito como tantos caminhos loucos e cegos dizem percorrer.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Como portas que se fecham


Como portas que se fecham
Olhos que se cortam
Intuição que se sente
Dor que se chora
Cor que transforma
Vinho que embriaga.

O som que detona
Onda que se choca
Pedra que sustenta
Mão que te levanta.

Uma rajada de vento
Num escuro que deturpa
A palavra que concentra
O silêncio que desponta
O ofego que adormece
A fome que devora.

Miúro, o coração delira...
Como voz que a nada fala
Tom que a nada toca
Vida que não ilumina
Chão que nos devora.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Abraçe-me e tudo se mostrará feliz


Abraçe-me e tudo se mostrará feliz
Aperte-me e tudo se tornará intenso
Beije-me e tudo se sentirá eterno
Sinta-me e tudo alcançará o etéreo.

Veja que a felicidade é o abraço do sonho
A intensidade é o aperto do sentimento
E tudo é eterno quando se é factível.
Como tudo se posta ao olhar do encanto

E, ao mostrar a palavra sem rima
Sabemos do erro que nos olhos temos.

Sufoco-te, pois em teus sonhos quero estar
E no verde dos teus olhos um pouco do azul
Floresce para iluminar meu latíbulo febril.

Hoje, não mais que hoje...


Hoje, mais do que qualquer outro dia
Meu coração chora, e chora, e despedaça-se
Fazendo das letras as lágrimas derramadas
E as palavras tentando amortecer a agonia.

Hoje, não mais que hoje, sinto o peso
Daquele desejo que me fez temer o amor
E que me jogou mais uma vez a indulgência.

Encantado pela existência que não mais revela
Descubro a razão pela qual ainda insisto,
Mesmo sabendo da cegueira de nossos atos,
Em amar tão intensamente e inépciamente.

Agora, a mão que ao toque sempre cedeu
Continua dormente pela sensação de indigência.
E o coração bate, bate, e bate. E sofre...
E grita, e entristece. Mas vive.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quanto cego talvez seja eu...


Quanto cego talvez seja eu...
Verme qualificado de desgraça
Perante o mau dizer das carcaças
Que nada tem a temer da terra.

E nada a lamentar da desgraça
Mesmo com pútrido ambiente
Não deixa de ser o mesmo canalha.
Diante da morte ou da mordaça.

Perante o insulto ou diante da faca.
E mesmo perdido na morte
Não trago no coração a falta.
De ódio, de vingança e de trapaça.

Onde posso tudo! Como no sonho
Que encarrega de dizer o que passa
Na tua vida, na minha lembrança
E na caminhada para a esperança
De algo triste que a vida sempre afronta.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sou apenas aquilo que imaginas estar morto.


Nunca digo o que vejo em teus olhos,
Nunca digo o que sonho em teus ombros.
Nunca tenta deter o germe que assola.
Nunca tenta, sem palavras, desalmá-lo.

Nunca fuja para a áurea, agora plana.
Nunca muda para a fronte que imagino.
Nunca tenta deter o profundo desejo.
Nunca revela o gosto por meu ser.

Nunca reconhece a desgraça como fim.
Nunca muda para mim. Feiticeira.
Nunca tenta ser aquela. Pela ignorância.

Sou um pequeno monstro que adora estrelas.
Sou um pequeno rio apaixonado pelo escuro.
Sou os teus olhos negros que enxerga a noite.
Sou apenas aquilo que imaginas estar morto.

... E da maneira com a qual abraço a solidão.


Seria apenas mais uma forma de afundar-me
Em pequenos sonhos ortodoxos, desrelevantes.
Que consideram o meu pensar uma fonte vaga
Sobre tudo que penso; tudo que sinto;
Surto sombrio que apenas afundo.
Mergulho e paro de sentir. Forjado de ouro,
De tolo, de coisas atraentes...

E isso pragueja na boca quando pretendo alertar
Os olhos que tateiam o pequeno espaço que demonstro
Do lugar. Coisa por coisa, parte por parte...
E vou tentando... tentando... tentando... o medo submerge...
O corpo não parece molhado; a cabeça não parece confusa;
Mas o brilho da esperança demonstra
Que aqui jaz o sentimento que prego.
O orgulho que humilha; a semente solitária; o convexo do absurdo.

Sujo, eu sonho; sonho com fome de defunto – a matéria que imagino.
E quando crio a verdade que poderia salvar-me
O mundo muda tanto quanto a sombra que abastece o frio
Na ausência da luz. E morrendo vou...
Mas quem não irá? Prefiro eu ao meu mundo!
Prefiro tudo ao meu pensamento sórdido!
Prefiro a discórdia. Pois sois a comunhão da igualdade
E da desilusão. Do sonho; do segredo
E da maneira com a qual abraço a solidão!

O pulsar das dores cegas

Quero ter calor suficiente para quebrar
O gelo do coração adormecido pelo terror.
Da parada poética que comanda
A razão de estar preso a crateras
 Profundas na terra do fim de tudo.

Onde o medo domina, e fecha
As portas onde a luz o gelo não alcança.
E quando imagino a terra fria
O pensamente penumbra, sente o arrepio
Da tristeza profunda na obscuridade.

Da mente surda servindo a vida
Onde apenas a trevas concilia a dor
E a amargura. Onde o escuro apenas guia
O lamentar dos olhos que, nem lágrimas,
Afunda suas pálpebras, pois, nas bordas
Nem pêlos vivem! Não há sombra.

E corremos para a metade encantadora.
O pulsar das dores cegas...

Essas sim mostram, realmente,
O caminho para a descoberta
Desses velhos pormenores que gritam
A todo instante. Agonizando
O corvário e a caverna onde brota
As lágrimas da solidão. A dor da escravidão!

 A fúria da rebeldia! A cor da discórdia!
A luz da ilusão! A cor da depressão
E a claridade dos olhos mortos.

Paro para ver as estátuas expressar...

Paro para ver as estátuas expressar
O olhar gelado que confunde o coração.
Que abandonado no peito, petrificado,
Gela tanto quanto os olhos dela - Tão fria; tão morta.

Oh medo! fuja desse olhar gelado que me persegues.
Não tenhas por testemunha essa torrente de caos.
Entre os passos que a cada dia afasta-te de mim.
Meu deus, que medo... esse verme idolatrado
Que tenta invadir o vazio do ser abandonado por ti.

E o que terá de volta desses pequenos gemidos?
Os olhos tremem tanto ao ver que o amor
Vindo de tão distante morre próximo de mim.
E porque tenho tanto medo de afundar
Nisso que em pouco tempo foi destruição do mundo?

Quero apenas agora chorar, e junto com as estátuas
Mergulhar na frieza da solidão e do esquecimento.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Solto ao vento corro eu, junto às pétalas.




Às vezes desespero, outras tantas suicido,
Quase sempre enlouqueço, queira eu iludido.
Com olhos chafalhão, cênicos e desiludidos.
Coisa minha essa desgraça, esse chafurdo.

Eu! empoeirado pelo tempo – triste feito espinho.
Seco como a rosa murcha, morta e sem textura.
Que a beleza arremessou na areia para o fim do ninho.
Sem forma, nem cheiro, sem força nem fervura.

Solto ao vento corro eu, junto às pétalas.
Mancho meus pés de selva, de trevas, de ura.
Para sempre enrrustido no penitente das brenhas.

Que não vê a lua com beleza; Fadas com angústia.
Molha os jardins dos campos com lágrimas,
Germinando sonhos e traz da terra ignorância.

                          
                               

domingo, 10 de abril de 2011

Vivo desejando o silencio que nossos corpos provocam...


Penso em coisas tão distante quando a vejo...
Lembro de frases cortantes que lembra a vida...
Desejo tudo quanto posso desvendar de ti.
E quando imagino que aos prantos minha
Bela criatura vai guiando essa loucura
A frase bela que posso te mostrar está
A beira da loucura que penso afundar
E nas profundezas disso que imagino ser
O encontro com a poesia quer mais
É trazer daquela profundeza...

O sorriso mesmo em palavras tristes.
Consigo sonhar em beleza única
Transformadora, impulsionadora, tentadora,
Louca! Algo que deixa trêmulo minha grandeza.
E onde vejo que em ti sim, és o sumo do servo,
Do tudo! Tudo aquilo que imagino sendo o meu eu.
Mas todos os homens são tolos! Não vêem
Nas lágrimas à distância; no sonho o desprezo
E continua imaginando a solidão como um abandono.
Que loucura insana. Queria ter o amor ao meu lado agora
E sabe o que faria desse silêncio? O acompanhamento
Mais perfeito para celebrar paixão a qual choro,
A qual canto, a qual desejo, e mesmo sendo tolo

Vivo!!!

Vivo desejando o silêncio que nossos corpos provocam
Quando na aurora tudo vem se renovar...
Um novo dia, um novo mundo, um novo sopro,
Um novo medo, um novo pensamento...
Mas o mesmo amor... Você!
                                                         

Velho, velhice, e voce...

Qual verdade devo conservar para estrilar
O tipo de depressão os horríveis olhos
Que não temem o estrepito dos exórdios?
Faz presente o gemido de orgulho que sinto carregar.
           
Pelos ventos do fundo do mar...
Pelos sopros das pálpebras a chorar...
Pelos cacos de vidro nos olhos derramar...
Pelos poucos degraus a pendurar...

Este suave veneno despertado para dentro
Do meu bulbo ou do seu sofrimento.
Selo este amargo desejo cego.

Vejo a verdade com olhos cinzentos,
Diz a mim: as velhices desse corpo
São facas, correntes, que teu peito conserva.

(Ismael Júnior, 08/02/06).

Uma triste lembranca...

Eu sempre quis tê-la nas mãos.
Aberta, o coração ao vento, céptico,
Murmurando para nadar na dor do chasco.
Sua branca pele, feito neve ou paliação?

Veio o destino e nos trouxe ao acaso,
Fez da vida mais que simples devaneios
E levou para um longo e gélido passeio
Entre nuvens – suspensas no desvalioso.

Segui viagem feito cego, destemido!
Senti sussurros e gemidos, cânticos
Entristecidos, boca aberta, madrigal.

Destoante para o orvalho, eu, na noite exalo
Uma triste lembrança de tempos esquecidos.
Que da vida leva dor, saudade e desafios.

(Ismael Júnior, 07/12/2005).

Tudo tao real...

Para a liberdade atingir o homem
E se criar o espelho das almas,
Alcançando as paredes do desejo,
Amargando a solidão da alma.

Trazendo da noite, a vida;
Das trevas, o vigor;
Das sombras, a clareza
Para todo pecado e toda dor.

Parece-me que tudo se transformou,
Voltei a sonhar com anjos – talvez demônios -
Parei para pensar na dor
Da minha alma arrancada
Por uma simples palavra.

Da navalha, ao sangue;
Da queda, à dor;
Do sono, à morte;
Da morte, ao esquecimento.

(Ismael Júnior, 14/03/03).

Triste fim...

A terra sobre o mundo é o que vemos.
 O mundo é louco, pardo pela pele,
Negro como a noite, triste como eu.
Simples carne humana, fraca mente insana.

Mundo louco; mudo veste-se para seu fim.
Majestosa és a vida.
Por fiasco, és por um deus,
Sábio como eu.

Membro transtornado, vasto pelo amargo,
Cru pelo apelo.
Somos a ilusão, a febre da alma.

Somos a carne em teu pútrido estado.
Por que mentes?
Teus olhos não te dizem?

(Ismael Júnior, agosto 1998).

A procura da poesia lisérgica.

E agora falo para as trevas E para a luz. Quanto da minh’alma Figurará no fogo que arde E no brilho dessa luz opaca? Meus anseios e minhas l...